Faz quase 1 ano que não escrevo. Não sei por onde começo, se falo de mim ou se falo do mundo. Ou talvez eu simplesmente acabe falando dos dois de uma vez só. Talvez um esteja dentro do outro, eu dentro do mundo ou o mundo dentro de mim, sei lá... O engraçado é que a ideia inicial desse blog não era torná-lo algo pessoal mas sim falar sobre temas que eu estudo, ou talvez coisas que eu percebia que as pessoas querem saber quando descobrem que eu faço psicologia. De inicio, queria me comprometer com isso. Mas não deu! Ou pelo menos até agora não.
Esses dias vêm sendo marcados por algo que eu sempre quis viver e sempre achei que nunca ia acontecer. Eu tenho visto pessoas lutando, se manifestando, indo para as ruas e mostrando a cara mesmo. Pessoas querendo mudar esse país. Sempre fui muito patriota, sempre tive orgulho do Brasil (sim, apesar de tudo que temos de ruim aqui), e, para dizer a verdade, sempre entrava um pouco em negação quando parava para pensar em todos os seus problemas e, depois disso, me revoltava porque ninguém fazia nada. Achava a coisa mais impressionante desse mundo toda vez que estudava os tais dos "Cara pintadas", que foram para a rua e venceram sua luta.

Há quem diga por aí que as manifestações de hoje são, na verdade, puro fogo de palha e que as pessoas que participam, na verdade, não sabem o motivo pelos quais estão lutando, ou talvez apenas a maioria delas. Você pode até considerar essa ideia de um realismo puro ou de um esclarecimento político perfeito, mas eu considero isso de um pessimismo sem tamanho.
Você pode até me considerar otimista demais, ou talvez iludida, inocente e ingenua. Isso não me impressiona mais. Já estou acostumada com pessoas me dizendo isso o tempo todo. Posso ser sim, mas eu não nego o fato - sim, o Fato - de que isso sacudiu as pessoas, e eu vi muita, mas muita gente se sentindo aliviada, apoiando, voltando a ter esperanças e criando coragem para lutar, influenciadas por essas pessoas que foram para as ruas "colocar fotos no instagram". Independentemente deste ser seu único objetivo, pelo menos elas deram exemplo de que, pelo menos, não trocam um ato de manifestação por um simples olhar de desdém sobre o mesmo. Em suma, penso que, consciente ou não dos motivos das manifestações, o movimento é válido e surtiu algum tipo de efeito. Agora resta lutar ou torcer para que seja de longo prazo.
Outra coisa que vem me aborrecendo e eu quero deixar claro o que penso sobre, ainda na parte dos desabafos, pode estar um tanto quanto relacionado à tal da "cura gay". Esse projetinho descabido, desnecessário e desentendido do assunto me levou a uma série de discussões, uma delas, inclusive, envolve uma antítese medieval que coloca religião de um lado e ciência de outro. Particularmente, e isso pode arrepiar os cabelos de muita gente, acredito nesses dois elementos trabalhando em conjunto. Não acho que eles precisam ser heterogeamente um o oposto do outro. Vou explicar: não acho que haja hierarquia entre eles. Não vejo a ciência acima da religião ou a religião acima da ciência. Apenas vejo os dois como coisas diferentes e que, como tudo nessa vida, a gente precisa conhecer, avaliar e tentar aproveitar o que é bom de cada um deles. Eu posso ser cientista e religioso, desde que eu consiga equilibrar as duas coisas sem que uma interfira no que é necessário ao outro.
Fui criada num meio católico, em uma família que eu chamo de tradicional, com valores e moral tradicional e, se não bastasse, estudei praticamente a vida toda em colégio religioso. Conheço minha religião de cabo a rabo. Escolhi a ciência como meu ganha pão e sei que muita coisa que ela me ensina são fatos, e não se concorda ou discorda de fatos, eles estão aí pra quem quiser ver. Acredito que possamos discutir certos fatos ou talvez explicá-los (deixando claro que entendo como fatos aqueles já comprovados e replicáveis e tudo isso daí, tem aqueles refutáveis e aqueles que ninguém sabe explicar e enfim, a ideia não é entrar nessa questão). Já a religião depende da fé para se sustentar, e dispensa comprovações, apesar de que elas acontecem em forma de milagre, o que também não vem ao caso aqui. A questão é: eu simplesmente não preciso de fatos científicos nem de fé para me mostrar o quanto o ser humano pode ser mesquinho e mal ao julgar os tais dos homossexuais como doentes ou até mal caráter simplesmente por eles serem como são. Simplesmente porque vê-los é algo que me incomoda.
Isso só pode ser resultado de uma educação moral tradicionalista e preconceituosa - e esse preconceituosa quer dizer apenas que essa moral traz verdades absolutas e que as pessoas não tem coragem de questiona-las e ver no que chegam, ou simplesmente porque elas colocam as pessoas em uma zona de conforto onde tudo já tem sua explicação formulada. Não é em tom pejorativo, que fique claro.
Enfim, isso vinha me engasgando há muito tempo. Queria que as pessoas parassem de resumir essa questão em uma guerra entre Deus e ciência, pelo menos por um minuto. Usem um pouco de sua empatia e pensem nos danos que o seu preconceito pode causar nas pessoas, se coloque no lugar do outro um instante. Pare de ser egoísta.
Nessa altura, depois de um texto enorme desses, nem sei se cabe falar um pouco de outras experiências minhas. Mas enfim, em resumo, cada dia que passa fico mais contente em perceber que aceito melhor as mudanças em mim e que nunca fez tanto sentido que a vida é constante e mutável. O tempo todo nós mudamos e mudamos nossa forma de pensar. Óbvio! O tempo todo temos novas experiencias. E eu simplesmente percebo o quanto eu amo a palavra NOVO!
É isso por hoje, e se você chegou até aqui no texto, MUITO OBRIGADA pela paciência. Se você discorda de qualquer coisa, fique a vontade para comentar. Eu realmente quero ouvir sua opinião! =)
Tenha uma boa semana!
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Ingredy R. Buss