Em um lugar um pouco distante, um lugar difícil de se localizar no espaço e até mesmo no tempo, existia alguém que, na arte de aconselhar e de confortar, era doutor. Não que para isso fosse necessário grande tempo em uma universidade. Uma boa dose de experiencia e sensibilidade são componentes indispensáveis na confecção do diploma para esta ciência, a ciência de criar sorrisos. Era um palhaço. Não havia uma só pessoa que, ao olhar aquele sorridente senhor, de nariz vermelho e cabelos coloridos, não sentia uma sensação parecida com calda de chocolate quente sendo despejada no coração. Todos que se sentiam tristes, desanimados, desmotivados, ao se encontrar com o palhaço, sentiam-se contagiados. Ele tinha o dom de dizer as palavras certas e mais belas. Ele resolvia e ajudava muita gente e por isso era procurado por todos.
Nesta cidade também havia um médico. Um doutor simpático que, diferente do palhaço, tinha diploma de papel e tinta, mas um grande anseio de aprender e grande dedicação para com seus pacientes. Até mesmo ele indicava aos enfermos uma visita aquele palhaço, e os pacientes sempre saiam satisfeitos. Muitas vezes, para grande ressentimento deste médico, ele era forçado a dizer para seus pacientes que para o seu mal não havia cura conhecida e que nada poderia ser feito a não ser esperar que o tempo fizesse seu trabalho. Isto era motivo de grande angústia para aquele bom doutor. E até ele, um homem da ciência, tão procurado para resolver problemas, também se refugiava nas palavras serenas daquele pacífico palhaço.
Eis que, um dia, em seu consultório, o médico tem uma experiencia um tanto quanto peculiar. Entra em sua sala um senhor, com aparencia muito simpática, já de idade, desconhecido pelo doutor em uma lugar onde todo mundo conhecia todo mundo. Iniciou a consulta sem muitos questionamentos a respeito daquele estranho, mas mesmo assim já preparado para ouvir uma lista de sintomas que o levaria a um diagnóstico, que, desta vez, seria um pouco subjetivo. Ao invés de dores no corpo e sintomas físicos, o senhor relatou tristezas e mágoas de alguém que sofre com as maldades realizadas pelos seres humanos. As desigualdades do mundo, o preconceito, a prepotencia humana, o desrespeito e a malidicencia entristeciam muito aquele homem já de idade muito já havia sofrido na vida. Até mesmo o próprio médico concordava com o senhor e, infelismente, para estas doenças, não havia cura nos livros.
O médico, sem saber muito bem o que dizer e o que fazer, decidiu pelo modo que sabia ser mais eficaz.
- Olha senhor - disse o médico - eu conheço um circo onde tem um palhaço, procure-o e tenho certeza que ele saberá resolver seu problema.
- Não acredito que eu possa fazer isso doutor.- disse o senhor, desanimado.
- Pode sim, acredite. Já testei e é real. Este homem tem uma sabedoria e um conhecimento indescritíveis. Gostaria de um dia poder estudá-lo e compreendê-lo. Quem sabe quantas contribuições este homem traria para a humanidade.
- O senhor acha mesmo? - um sorriso tímido escapou de seus lábios, os olhos brilharam.
- Tenho certeza. Costumo indicá-lo a todos os meus pacientes. Eles voltam ao meu consultório renovados. Não se curam de doenças físicas, porém sua força de vontade e a positividade que eles absorvem daquele palhaço são inacreditáveis. Sei que todas estas pessoas são muito gratas aquele homem. Ele faz muita gente feliz, e não sei nem se ele sabe disso...
Durante esta fala do médico, os olhos já envelhecidos daquele senhor foram lentamente enchendo-se de lágrimas. O médico completou:
- Eu mesmo, muitas vezes, me encontro com ele. Cada encontro me trás uma surpresa. O mundo seria muito melhor se todos fossem um pouquinho como aquele palhaço.
- Aquele palhaço conhece muito o mundo, já sofreu muitas coisas e sabe o que é a dor. Sei que aquele palhaço sorri a todos enquanto em seu íntimo lágrimas estão guardadas, precisando sair. Ao contrário do senhor, ele não tem ninguém com quem conversar, é solitário, sozinho...
- Como você sabe disso? Não posso acreditar no que me diz. Olha, procure-o, você verá que o que fala é uma besteira.
- Não posso. - disse o senhor.
- Por que não?
- Porque aquele palhaço sou eu.
Neste momento, em meio a algumas lágrimas, o médico reconheceu o sorriso do palhaço.
As vezes algumas pessoas são tão importantes em nossa vida, nos ajudam tanto, e nunca paramos pra pensar nas angústias que elas mesmas sentem. E muito além, esquecemos que esta pessoa também precisam de um alguém, que talvés não exista ou não esteja presente...
Pra mim, apenas uma lição é mais intrigante. Que muitas pessoas, por mais que muito tenham sofrido, ainda são capazes de esbanjar um grande sorriso que contagia e cura todos, mesmo que momentaneamente. Sem dúvida, pra mim, elas são exemplos. Nem mesmo a maior perda ou tristeza é capaz de deixá-las abaladas, por mais que cheias de lágrimas guardadas por trás de um sorriso.
Ingredy R. Buss (baseado em autor desconhecido)
Acho que esse é um grande exemplo e uma grande conquista: Conseguir sorrir mesmo tendo passado por momentos na vida que machucam e deixam grandes feridas! Amei o texto, já compartilhei!!
ResponderExcluirbeijos,
te amo
Linda história, as vezes confiamos muito na segurança que os outros podem nos dar e esquecemos do sentimentos daqueles que sempre nos confortam.
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