domingo, 2 de outubro de 2011

Breve ensaio sobre a felicidade

É como se eu olhasse para todos os lados e só visse preto, escuro.
Não há solução.

Ser feliz sempre incluirá um misto entre alegria e tristeza, agonia e calmaria, dor e prazer.
Ser feliz, pra mim, é o espaço entre o prazer e a dor de cada momento.
Andamos por aí querendo dar pitaco em tudo que é físico e palpável no mundo. Andamos por aí querendo brincar de Deus e criar em cima da criação. Conceituamos, contamos, medimos, racionalizamos, formalizamos tudo que existe. Criamos leis, teorias, teoremas, fórmulas, testes para podermos contar.
No fundo, acho que na verdade, temos uma imensa incapacidade não trabalhada e mal resolvida de lidar com aquilo que não esperamos. O novo nos assusta.
Há poucos dias, andei lendo sobre algo que chama generalização. Algo que basicamente posso explicar como sendo uma capacidade nossa de enxergar uma determinada regra em situações onde ela se apresenta de maneiras diferenciadas. A minha teoria, e me sinto muito audaciosa em apresentá-la, é de que o ser humano, ao não conseguir generalizar conceitos aprendidos, sente-se enormemente frustrado. Se ele consegue controlar as situações que estão por fora, em consequência consegue controlar aquilo que sente por dentro - e que o faz sofrer. Controlar o mundo é, então, uma necessidade de controlar sentimentos em sí mesmo. Controlar, aqui, seria o mesmo que evitá-los. Evitar sofrimento, evitar angústias, evitar a dor.
Pode parecer ridículo, mas eu não entendo a razão disso. Eu gosto da dor. E não sou masoquista!
A dor é um indicativo de felicidade.
Eu não quero relembrar a idéia medieval de que o sofrimento leva à felicidade. Não é isso que estou dizendo. Só digo que, ao contrário do que eu já ouvi, que é impossível medir sentimento, eu teria uma medida para ele. Mais especificamente para a felicidade, e esta medida inclui a dor. A dor é capacidade restrita daqueles que ainda sabem o que é felicidade.
A felicidade é a diferença entre o bom e mau de cada acontecimento. E aí, somente cada um é capaz de medir a sua. Já que bom e mau vão depender da concepção destes pela própria pessoa e depender também do acontecimento que a pessoa avalia.
Tudo isso, nada mais quer dizer que: Se você está feliz, é simples e óbvio que algum acontecimento que lhe traga tristeza, ela será uma dor tão cortante que o coração sangrará e o sangue escorrerá em forma de lágrima. Uma necessidade de abraçar, chorar e mudar a situação... fazer algo. É natural, aqui, se sentir impotente. Até aí tudo bem.
Um acontecimento que lhe traga alegria, na felicidade, pode até passar desapercebido, pois a diferença entre plena felicidade e uma situação alegre pode ser pouca a ponto de não ser sentida. É aí que acontecimentos simples da vida, porém lindos, começam a passar em branco e começamos a transformar a nossa felicidade numa forma imensamente terrível de tristeza.
Agradeça por ainda sentir dor. Isso é sinal de humanidade.
É necessário dor para que a felicidade possa ser sentida plenamento. Quem não tem dor, tem a breve sensação de não ser feliz. E muitas vezes não é. Não mais.


Há um único remédio pra isso: Dar valor às coisas pequenas da vida. Isso é o que existe de melhor e mais feliz.
Todos nós somos felizes, o que muda é a capacidade de cada um de perceber o tamanho de sua própria felicidade e as oportunidades que cada um têm de sentí-la.
Perceba a sua felicidade e passe-a adiante. Ajude, mude, transforme, transborde-a, não se conforme com as misérias do mundo.
Fique alerta. Hoje, você pode estar deixando passar o dia mais feliz de todos os dias felizes de sua vida!

Ingredy R. Buss
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Eu - já não tenho mais vida
Tu - já não tens mais amor
Tu - só vives para o riso
Eu - Só vivo para a dor
(Castro Alves)

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